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Sexta-feira , 29 de Novembro de 2019 - 16hs18

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UE/TO planeja Censo 2020 passando pelo Jalapão, Ilha do Bananal e comunidades tradicionais

Fonte: Da Redação

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Divulgação / IBGE-TO

Tocantins é uma terra de belezas naturais, cerrado, morros, dunas, aldeias, estradas de terra que “desembocam” nas cachoeiras, fervedouros, e em pequenos povoados indígenas e quilombolas onde é possível contar a população a dedo; também lugar de progresso, condomínios arranha-céus e largas avenidas onde reside gente aos milhares. Servidores da Unidade Estadual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) percorreram essas regiões nos últimos meses realizando as Reuniões de Planejamento e Acompanhamento do Censo Demográfico 2020 (Repacs). Passando pelo Jalapão, Ilha do Bananal e comunidades tradicionais, a UE/TO concluiu a primeira rodada desses encontros nos 139 municípios tocantinenses.

Na avaliação do analista e coordenador operacional do Censo 2020 no Tocantins, Roniglese Pereira, essa primeira rodada de Repacs foi muito positiva. “De uma maneira geral as instituições nos receberam muito bem porque entendem a importância do Censo Demográfico e sabe o quanto o IBGE precisa de parceiros para que esse trabalho seja realizado e bem executado em 2020”.

Para o coordenador das Repac’s, Paulo Ricardo Amaral, o ponto mais importante da reunião é a comunicação das atividades censitárias e a conscientização, tanto das administrações públicas municipais, quanto da sociedade civil interessada. “Portanto, é o primeiro contato do IBGE com a sociedade para ocorrência e realização do Censo”, disse.

O coordenador, que também é supervisor do setor de Disseminação de Informações, reforçou que as Repac’s foram recepcionadas de maneira positiva pelas prefeituras e demais participantes. Com isso, ele acredita que o Censo será bem realizado e alcançará as expectativas, “retratando a realidade da população da forma mais fidedigna possível”.

Peculiaridades
O estado do Tocantins possui a 9ª maior área territorial e uma grande diversidade étnico-cultural, com aspectos regionais peculiares que vão exigir um trabalho especial dos pesquisadores. O coordenador operacional do Censo destacou que ao mesmo tempo que o estado possui cidades médias, bem localizadas, com população de mais de 100 mil habitantes; tem também algumas áreas de difícil acesso.

“Aqui no nosso território está a maior ilha fluvial do mundo: a Ilha do Bananal. Nós temos várias populações indígenas com suas distintas particularidades que requer um trabalho diferenciado para adentrar o seu território. Temos ainda uma região que hoje é conhecida a nível nacional e até mesmo internacional, que é a região do Jalapão, caracterizada especialmente pelas longas distâncias e dificuldades de acesso”, lembrou.

Segundo o analista, os recenseadores da UE/TO vão percorrer toda essa área procurando chegar ao domicílio mais longínquo que for e é essa fase de planejamento que vai permitir isso. “Faz parte da missão do IBGE a realização desse tipo de trabalho e nós do estado do Tocantins não vamos fugir dessa importante missão. Nós estamos nos organizando da melhor forma possível para que tenhamos tanto os recursos humanos quanto materiais necessários e, consequentemente, um ótimo desempenho”.

Próximas etapas

O IBGE/TO trabalha agora para oficializar parcerias e apoios, como a cessão de espaço físico e doação de mobiliário para a instalação dos 100 postos de coletas, em 93 municípios tocantinenses. “No momento das reuniões várias instituições concordaram em firmar um termo de colaboração com o IBGE e realizar essa cessão. Nós estamos na parte de formalização desses acordos. Acreditamos no sucesso da operação, a partir do momento que essas parcerias forem estabelecidas. Nos municípios que o IBGE não conseguir a cessão de espaço físico será feita a locação de imóvel”, informou Pereira.

Nessa fase de planejamento, o IBGE também organiza os processos seletivos de pessoal. “Um está em andamento e outro será realizado no início do ano que vem para contratação de supervisores e recenseadores. No mês de junho já queremos estar com tudo pronto e pessoal capacitado, para em agosto efetivamente irmos a campo e colocarmos todo nosso conhecimento, tudo que nós estamos preparando ao longo desses dois últimos anos”.

Inovação
Com uma estrutura grandiosa, o IBGE planeja visitar em todo Brasil mais de 70 milhões de domicílios. A expectativa é contar mais de 210 milhões de habitantes. No Tocantins, os recenseadores vão percorrer uma área territorial de 277.720,404 quilômetros quadrados; coletar dados de mais de 500 mil domicílios; e contar uma população superior a 1,5 milhão.

Para realizar esse trabalho, apenas a Unidade Estadual no Tocantins vai contratar temporariamente mais de 1.800 pessoas, que serão divididas em equipes de supervisão e de campo. O estado também será fragmentado em dez grandes áreas. Provas pilotos já foram realizadas em alguns municípios e os coordenadores participaram do Censo Experimental, em Poços de Caldas (MG), para ter dimensionamento dos ajustes necessários.

De acordo com o coordenador operacional, o recenseamento 2020 vem com uma inovação para atender uma demanda antiga da sociedade: que é a inclusão do levantamento de informações diferenciadas das populações tradicionais, em especial, as comunidades quilombolas e indígenas. “Nós vamos ter um Censo que vai conseguir retratar as particularidades e especificidades dessas comunidades tradicionais como elas realmente merecem”, afirmou.

Numa outra perspectiva, o recenseamento para alguns municípios possui relevante denotação financeira. Conforme estimativas populacionais divulgadas anualmente, cidades como Miranorte e Pedro Afonso estão próximas de mudar a faixa do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), ou seja, os recursos transferidos pela União podem aumentar.

Terra indígena

Uma das últimas cidades visitadas pelos técnicos e analistas do IBGE/TO foi Tocantínia. O município é conhecido por possuir população predominantemente indígena. Para o prefeito Manoel Silvino, o Censo 2020 vai registrar uma evolução significativa no número de habitantes. “Talvez não o suficiente para mudar a faixa do FPM, mas pelo crescimento do número de natalidade dentro da comunidade indígena, os assentamentos que foram criados, com certeza nós vamos ter uma evolução significativa”, declarou.

O chefe do Executivo destacou que as atividades censitárias fornecem para o município não só o quantitativo da população, mas também dados importantes dos domicílios e, por isso, gostaria que o trabalho fosse realizado em um intervalo menor de tempo. “Nós queríamos que o Censo fosse feito de cinco em cinco anos, que não demorasse esse tempo todo, mas agora chegou o momento e estamos ansiosos para termos esses resultados no ano que vem”, ponderou.

Silvino ainda ressaltou avanços do Instituto e a importância de se planejar o recenseamento junto com a sociedade. “Estamos percebendo que o IBGE está avançando e se preocupando em manter a comunidade informada. Eu tive a oportunidade de trabalhar no Censo Demográfico de 1980 e não havia todo esse cuidado de hoje. Quando a comunidade está participando e acompanhando, a possibilidade de se aproximar do número real é maior, porque além dos cuidados que o IBGE tem a própria comunidade também vai ter e vai colaborar pra que sejam coletadas as informações precisas”.

O presidente da Câmara Municipal de Tocantínia, Ivan Sugawre Xerente, afirmou que é muito importante discutir e planejar o Censo 2020 “para que o indígena esteja bem empenhado a participar desse trabalho e todo o avanço ou dificuldade sejam comunicados ao IBGE”. O vereador se colocou à disposição para colaborar com o Instituto. Segundo ele, as lideranças indígenas também vão dar apoio.

Reuniões
As Repacs são encontros de planejamento e acompanhamento do Censo Demográfico 2020 que o IBGE promove com representantes de instituições públicas, privadas e sociedade em geral. O objetivo é dar transparência e discutir as etapas de desenvolvimento desse trabalho, além de solicitar apoio para a realização e divulgação do mesmo.

A coleta de dados do Censo 2020 será realizada entre agosto e outubro. Serão visitados todos os domicílios do país e qualquer morador capaz de fornecer as respostas às perguntas do questionário pode responder ao recenseador pelos demais moradores daquele domicílio.

Os recenseadores, identificados com colete, boné, crachá e dispositivo móvel de coleta (DMC), coletarão as informações através de entrevista direta com perguntas listadas sob a forma de questionário a ser preenchido no DMC. Também será possível responder o questionário via internet.


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